Meus demônios
 
Sapeka
 
 
Quando solto meus demônios,
 
tenho medo, me desconheço.
 
Sinto meu corpo entorpecido,
 
a febre ardendo no tormento.
 
Quando os demônios se soltam,
 
vencendo batalha, a alma sofre,
 
agonizando num triste lamento.
 
Sinto a força tamanha gritante,
 
sobrepujando princípios e mente.
 
Com esses demônios trago comigo
 
 guerras tão constantes dementes,
 
fracassos, vitórias, lutas somente,
 
mostrando espada, garra e dentes.
 
 
Sapeka
 
10/11/2002
 
 
 
 
 

Meus demônios

 

 

Sandra Ravanini

 

 

 

Solto os meus demônios feito um animal caçando o agourento

quando alimento minhas fornalhas com a foice e com o arpão;

um calafrio esfria o sangue e me faz contínuo moinho-de-vento,

quebro as hastes se ergo um tridente, e levo a ira entre as mãos.

 

 

Sou o nada de luz quando o insano me habita o coração,

nada mais sou enquanto anda à solta meu instinto pelas pedras,

sopro os ventos e apago as falsas velas, dôo o vale da escuridão;

uma rebeldia sorve esse repúdio e rasgo e queimo quantos vedros.

 

 

Quando assim... empunho o ego e cravo a lâmina e faço o jugo

de outro lobo, caço as feras e me embriago na lei desse veneno;

só...  saio de mim, e dilacero outro cego alquebrando o seu rogo,

visto a noite e saciada cubro o peito e bebo o luto do frio ameno.

 

 

 

 

 

 

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