VITRINE

Sandra Ravanini

Sonho da vitrine

Maria Nogueira Martinelli

(Sapeka)

 

 

 Do lado oposto da empoeirada vitrine,

no crepúsculo dum outro olhar assustado,

a lassidão e mais a ardência que oprime,

o plural das águas faz do reflexo um quadro.

 

 

E o contraste dessa poeira aparente,

se misturava ao doce olhar que implora

com o cair dessa tarde de sonho latente, deixa cair dessa água que chora.

 

 

 

  Abraça o espelho que a chuva vem traindo,

espalha esse cristal sonhos de libélula,

rompendo a pedra e o casulo, vai caindo

da concha, a singular lágrima da pérola.

 

 

No leve bater de suas asas no vidro,

faz do reflexo do mesmo opaco vitral,

ao revelar o desejo inocente incontido,

o embaçar esfumado de efeito magistral.

 

 

Sangra o peito do manequim paralisado,

ferindo tênue vidro tal dor de mil estilhaços;

 vê a boneca como um artigo condenado,

no presente pranto a exclamar pelos braços.

 

 

Desfaz seu sonho em lágrimas indolentes,

recolhe o desejo desfeito no seu soluçar,

fica a boneca junto a sonhos incontentes,

levando a lembrança no seu último olhar.

 

 

 

30/03/2006

19h30

 

Imagem: Simoni CZ

 

 

Menu

Criação - ©Copyright 2006 - Machado Web Solutions.