Profano

Sandra Ravanini

 

Ultraje

Maria Nogueira Martinelli

(Sapeka)

 

 

 

No ermo céu de tanta inexistência,

absinto negrume, sodomia insone

que a estrela ciumenta reverencia

de uma lua reticente e infame.

 

 

 

Nem toda a beleza avistada no céu

traduz a beleza do ser que contempla,

quando a lua se esconde atrás do véu

brilha a estrela que a vaidade fomenta.

 

 

 

Preciso dizer que não mais compartilho

das mentiras que nutre outra ilusão,

das palavras que li, teias e escassilhos,

igual sofisma negando a solidão.

 

 

 

As palavras ditas em calúnias infladas

nas insônias de noites arquitetas do fel,

compactuam com juras apenas somadas

das mentiras forjadas que anulam o mel.

 

 

 

Onde vai esse decadente que em descrença

foge das constelações de enfermidades;

dos falsos brilhos ruindo em gastas avenças,

na mortal seda negando a eternidade?

 

 

 

 

A descrença se ilude pelo falso a brilhar

em esferas erguidas no alicerce de vidro,

se esquece quão frágil é o chão ao pisar

nesse céu rasgado sobre sólido escondido.

 

 

 

Desdenhosa observação que fez ela

romper o fio venoso onde escorre

a dualidade que hoje cospe nela,

ao ver o fantasma do sonho que morre.

 

 

 

Vendo assim essa desdenha arbitrária,

que envenena o eterno horizonte lunar,

entristece os anseios na linha imaginária...

...Que em parcerias um dia pensou eternizar.

 

06/05/2006

 

 

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