Meu nome é ninguém / Teu nome é tudo

 
Sônia Ravanini Pina
/ Maria Nogueira Martinelli
 
 

 
 
Meu nome é ninguém, eu sou só um sonho,
 
sou um riso de criança perdido no infinito,
 
reverberando em um frasco de alquimista,
 
estilhaços de uma alegria quebrada, partida.
 
 
 
Teu nome é o tudo  investido nos sonhos
 
Que o pincel do artista recriou no amor
 
Se perde teu riso nesses teus desencantos
 
É por ter o perfume de alma ainda em flor
 
 
 
Meu nome é ninguém, sou a essência do nada,
 
que sem peso algum,  flutuo na inexistência.
 
Sou nuvem sem partículas, a eterna ausência.
 
Sou a essência do pó dissolvido por onde piso.
 
 
 
Teu nome é o tudo se vês em transparência
 
O retrato da alma aflita a vagar na procura
 
Se enxergas um nada é que trazes a essência
 
Do mais puro amor  que se norteia a loucura
 
 
 
Meu nome é ninguém, por alguém denominada.
 
Sou um sonho de néon em um chão de vidro trincado.
 
O projeto de uma vida arquitetado, porém, inacabado.
 
 
 
Teu nome é o tudo até mesmo quando fostes o nada
 
de inocente sorriso perdido em meio a tua chamada
 
bradando a ausência de ter uma alma acalentada
 
 
 
Sou o esboço de um artista num quadro abandonado.
 
Eu sou a poesia sem rimas de um poeta fracassado, enfim,
 
sou um velho papiro esquecido no tempo, amarelado.
 
 
 
És criação do artista  que aguarda momento o bastante
 
de ver fluir sua imagem num quadro por ele idealizado
 
Nessa espera em que o gênio que não apressa o instante
 
 

 

 

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