Vernissage

Sandra Ravanini

Passagem

Maria Nogueira Martinelli

(Sapeka)

 

 

Canta a voz da espera insensata e sem rosto

trançando o dedo impotente, geme a louca

assassinando o amor no ciúmes da boca,

vai tocando o hino e anunciando o desgosto.

 

 

Ouve a canção? Vem de longe esse horizonte

arranha um som as notas mortas de uma lira

enquanto espreita o poente em seu mirante

dança uma louca no esfumaçar de sua pira

 

 

 

 Evoca o brilho e a luz no pingente de contas

e no prisma baila tanto sonho esquecido,

dançando no cenário enfim adormecido

paga à claridade antes que ela se rompa.

 

 

Bruxuleante luz que se apaga em alvorada

com o fim da noite de cenário ensandecido

bailando sonhos  de uma dança inacabada

de um anjo negro e um arcanjo enfurecido

 

 

 

Coleia em silêncio omisso a mancha insegura

limpando o andor com as lágrimas salgadas,

lavanda à alma e ao gesso da face pintada,

descascando o verniz da esfumatadura.

 

 

Disfarça a máscara o verniz dessa madeira

na face oculta que assombra  um passado

esculpida em peroba de uma falsa cerejeira

revestida em gesso de um barro espalhado

 

 

Segue à estátua sem trincas gritando o te-deum,

afaga a passagem... floreiras de agruras

desbotam e daquela menina obscura

escoa a seiva à vernizagem que ela inverteu...

 

 

 Louvando a Deus em flores brancas de candura

seguindo anjos que entoam seus cânticos sagrados

pedem passagem os vultos pálidos da brancura

no desfecho da alva estátua dos sonhos profanados

 

 

 

 

04/09/2007

19h22

07/09/2007

22h53

 

 

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