Dor antiga

Maria Nogueira Martinelli

(Sapeka)

 

 

 

Trago o grito preso na garganta

que a alma tenta em vão libertar

é dor que o peito suporta calado

e não consegue nem pode explicar

 

 

 

 

  
 Perdida lágrima contida há tempos

as vezes escapa de onde é seu lugar

no canto fechado ocupando um espaço

do riso feliz que a alma quer escutar

 

 

 

É o grito calado da vem das entranhas

do útero seco da alma querendo aflorar

 abafa o riso que a vida oferece de graça

naquele momento que a dor se faz lembrar

 

 

 

Antiga dor que se fez muralha de sonhos

aprisionando o desejo de querer só amar

se arma do medo da alma, que foge aflita

pro canto secreto onde dor não vai achar

 

 

 Santos

30/12/2007

 

 

 

Dores

 

 Humberto Rodrigues Neto

(Humberto - Poeta)

 

 

Buscamos sempre edênicos regalos

na eterna fuga ao mal que nos judia;

aos prantos  preferimos  a  alegria,

como forma  pueril de ameniza-los.

 

 

O mal e o  sofrimento,  todavia,

devemos com paciência  assimilá-los,

aceitando o amargor de tais abalos

com  dotes  de prosaica simpatia.

 

 

Às voragens da dor, sem fatalismos,

imunes a ilações e a silogismos,

é  preciso descer para entendê-las.

 

 

Nem ais blasfemos, nem medonhos trismos,

pois só o que desce mudo a tais abismos

encontrará o caminho das estrelas!

 

 

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